HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO BRASIL E NO MUNDO  escrito em quarta 25 julho 2007 09:49

Resumo realizado pela Profª Andréa Carla Lima Coelho [1], baseado em

GOLDFELD, M. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-interacionista. São Paulo: Plexus, 1997.

audibelrecife@yahoo.com.br

  [1]   Fonoaudióloga graduada na UNICAP, Especialização em Audiologia pelo CEFAC e Mestra em Ciêncais da Linguagem pela UNICAP.

 “Lembrava-me de como era tranqüilizador, na Escola Nitchie, estar com pessoas que admitiam a existência de dificuldades auditivas. Gostaria de conhecer pessoas que aceitassem os aparelhos de audição”. Como gostaria de poder ajustar o controle de meu transmissor sem me preocupar com alguém que esteja me olhando. Poder deixar de pensar, por um momento, se o cordão que passa atrás de meu pescoço esta à mostra. Que delícia gritar para alguém: “Santo Deus, minha bateria está descarregada!”.                        

Warfield (in GOFFMAN Estigma e Identidade social, 1982, p.29) 

 

Histórico da Educação de Surdos Séc. X - Surdo (não eram seres humanos competentes);

ü      Idéia negativa;

ü      Não educáveis;

ü      Não possuíam pensamento nem linguagem;

ü      Marginalização;

ü      Recuperação (dar fala a eles);

ü      Não podiam casar nem herdar os bens da família;

ü      Eram percebidos com piedade e compaixão, como pessoas castigadas pelos deuses ou como pessoas enfeitiçadas que deveriam ser abandonadas ou sacrificadas. 

 

SEC XVI- (Surgem os primeiros educadores de Surdos)

ü      Educação dos filhos de nobres;

ü      Pedro Ponce de León (1520 –1584) – desenvolveu uma metodologia de educação de Surdos baseada na datilologia (representação manual das letras do alfabeto), escrita e oralização, e criou uma escola de professores Surdos;

ü      Ensinar os Surdos a falar;

ü      Direito à herança;

ü      Movimento italiano – médicos Giancomo e Giuseppe.     

 

SEC.XVII – (Educação de Surdos);

ü      Juan Pablo Bonet (1579-1629) retoma o trabalho de Ponce p/ reprodução e em 1620 publica livro como “o inventor da arte de ensinar os Surdos a falar” por meio do alfabeto digital, da escrita e da língua de sinais ensinava a leitura ao surdo e, através da manipulação dos órgãos fonoarticulatórios, ensinava-os a falar.

ü      Alfabeto digital;

ü      Uso de sinais;

ü      Seleção dos melhores;

ü      Mérito e fama p/ o treinador (aspecto quantitativo). SEC.XVIII – (Época de ouro com o Abade Charles Michel de L`Epée ; 1712-1789);

ü      Preocupado com suas duas irmãs surdas e em orientá-las na religião, cria a 1ª Escola pública, do mundo, na França. Cria os sinais metódicos;

ü      Surdos/ humanos;

ü      Usou a Língua de Sinais para ensinar os Surdos a ler e escrever;

ü      1704 Johann C. Amman , médico suíço, enfatizava a articulação e o alfabeto digital como instrumento para atingir a fala ,1º livro modelo alemão;

ü      1750 1ª Escola pública oral, Samuel Heinick;

ü      John Wallis (1616-1703) mentor inglês no trabalho oralista, 1º livro inglês; Na França Jacob Pereire (1715-1780) defesa para oralização, mas utilizava sinais;

ü      Segredo da técnica (poder, magia, mito dominação, charlatanismo, lucro e prestígio);

ü      Thomas Gallaudet (1787-1851) viaja, retornando c/ professor surdo Laurent Clarc, fundou a 1ª escola EUA em 1817;

ü      Edward Miner Gallaudet fundou a 1ª faculdade (Washington); nesse século houve o aumento das escolas de Surdos;

ü      Aumento no grau de escolarização dos Surdos;

ü      As escolas tinham o objetivo de educar os Surdos através da língua de sinais, cada vez menos ligada ao sistema oral e cujo objetivo era o ensino da língua escrita e o desenvolvimento de conhecimentos que permitissem a independência e o trabalho de Surdos na comunidade. 

 

SEC.XIX  (1860 avanço das próteses auditivas e pressão p/ oralização)

ü      Onda nacionalista com Itard (restauração da audição)

ü      Alexander G. Bell (1847-1922) defensor do oralismo, defendia que os sinais eram inferior à fala, surdez como defeito (partidário da eugenia);

ü      Surdos inseridos em classes normais, em que os professores treinam a articulação;

ü      Lei proíbe casamentos entre Surdos;

ü      Congresso de Milão (1880); defendia que o uso simultâneo de sinais prejudicaria a linguagem; demissão dos professores Surdos.

  Na guerra dos métodos, o veredicto dos Surdos educados de todo o mundo é: o método oral beneficia uns poucos, o sistema combinado beneficia todos os Surdos... Qualquer um que apóie o método oral, como método exclusivo, é seu inimigo”.Robert P. McGregor (Diretor surdo da escola de Ohio). 

Ø       No Brasil (1855) 1º registro de educação de Surdos, D.Pedro II apóia Huet professor Surdo. Criação em 1857 do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, utilizando a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Posteriormente Caráter oralista e aumenta o estigma do indivíduo Surdo;

Ø        De 1911 a 1957 a língua de sinais sobreviveu em sala de aula até ser proibido oficialmente;

Ø        Até a década de 60 - domínio do oralismo e insatisfação por parte de alguns educadores. 

Início do Séc. XX

ü       Maior parte das escolas no mundo deixa de utilizar a língua de sinais. Oralização é o objetivo maior da educação; ensino básico é relegado a segundo plano. Cai nível de escolarização.

 ü      Dorothi Schiffet - Comunicação Total, comunicação e não língua deve ser privilegiada, leitura labial, treinamento auditivo e alfabeto manual.

ü      Déc. de 70- filosofia bilíngüe: língua de sinais .

ü      No Brasil, final da década de 70- comunicação total chega ao Brasil com Ivete Vasconcelos.

ü      Década de 80 e 90 - Bilingüismo ganha força e cada vez mais adeptos no mundo.

ü      No Brasil Dec. de 80 - Bilingüismo chega através da pesquisa da lingüista Lucinda Brito.  

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